Mãe de Isabele se revolta com laudo que recomenda soltar assassina


Fonte: reportermt

A empresária Patrícia Guimarães Ramos, mãe da adolescente Isabele Guimarães, morta aos 14 anos com um tiro disparado pela melhor amiga, desabafou nas redes sociais, nessa quinta-feira (20), sobre a possibilidade de soltura da adolescente condenada pelo ato análogo a homicídio. Conforme o RepórterMT divulgou, a menor, B.O.C, de 16 anos, está internada no Centro de Ressocialização Menina Moça, em Cuiabá, desde janeiro de 2021. Ela foi sentenciada a três anos de internação, com reavaliação da medida socioeducativa a cada seis meses.

Nessa semana, a instituição emitiu laudo atestando que a adolescente tem comportamentos sociais adequados, específicos da idade, vínculo com os familiares e está saudável. A menina também recebe atendimento psicológico e psiquiátrico de forma particular.

Após a divulgação do documento, Patrícia colocou em xeque a avaliação. “Será mesmo?”, questionou em suas redes sociais. A empresária, então, passou a fazer um relato emocionado sobre a saudade que sente da filha, assassinada em julho de 2020. “Fico me perguntando quando olho por tudo à minha volta, quando ando pelas ruas de onde moro e me lembro dela ainda pequena. Quando aprendeu a andar de bicicleta, quando fez as primeiras amizades, quando passeava com o cachorro, quando cresceu… e assim, em busca de resolver os próprios traumas e conflitos, fez amizades que acreditava ser confiáveis. Amizades essas que jamais, nunca em sonhos, imaginou que seriam capazes de dar um fim à vida dela”, escreveu.

“Vida linda, de uma criança tão cheia de sonhos, tão amada, inteligente, com tanta vontade de viver, cheia de vida, de desejos, de vontades, tão sensível, doce…Ahh minha eterna Bele, onde você esteja eu sou só saudade, eterna saudade”,completou. Morte de Isabele

Isabele e BOC eram melhores amigas, segundo a mãe da vítima. No dia do crime, Isabele havia passado a tarde na casa da família da acusada, no condomínio de luxo Alphaville, em Cuiabá. À noite, ela foi morta com um tiro no rosto, no banheiro do quarto da amiga.

As circunstâncias em torno da morte de Isabele ficaram nebulosas por alguns dias. A família de BOC sustentava a alegação de tiro acidental. A perícia, porém, descartou essa hipótese.

Conforme as investigações, a família da adolescente era praticante de tiro esportivo e deixava livre o acesso às armas dentro da casa. A arma que matou Isabele, porém, não era da família. Havia sido levada pelo namorado de BOC. O adolescente de 16 anos havia pego o armamento do pai para mostrá-lo ao sogro. Quando saiu da casa, deixou a arma para que fosse guardada pela família de BOC.

Em ação movida contra os pais da adolescente, o promotor de Justiça Jaime Romaquelli ressaltou que havia descaso por parte da família em relação à custódia das armas de fogo. Ele chegou a pedir que os pais da menor respondessem por homicídio doloso, isto é, quando há intenção de matar. No entanto, o pedido foi negado pelo juiz Murilo de Moura Mesquita, da 8ª Vara Criminal de Cuiabá.

A ação movida contra os pais da atiradora ainda corre no Judiciário. Já a adolescente acusada pela morte da amiga já foi sentenciada, em janeiro de 2021, a três anos de internação - tempo máximo previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.

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