Em carta aberta, médicos denunciam más condições de trabalho na rede pública de saúde Cuiabá


Fonte : G1

Pelo menos 40 médicos que atuam no Hospital Municipal de Cuiabá e nas unidades de pronto atendimento pediram demissão. A decisão foi divulgada nessa segunda-feira (25) em uma carta aberta. Os profissionais são contratados para trabalhar na rede pública, por meio de uma empresa terceirizada, a Hipermed.

No documento, eles dizem que eram obrigados a trabalhar em condições precárias e, muitas vezes, sem os materiais e medicamentos necessários para prestar um bom atendimento. Alegam que o atraso nos pagamentos dos médicos é uma característica recorrente no serviço público de saúde. "Nós médicos estamos na linha de frente no combate à pandemia. Muitos com turnos dobrados em jornadas cansativas que também colocam em risco nossa própria saúde. Também por esse motivo, é preciso destacar o óbvio; ainda somos cidadãos e trabalhadores, temos direitos e deveres", dizem, em trecho da carta. Os profissionais argumentam que os direitos deles não têm sido respeitados e que, muitas vezes, não têm as condições necessárias para o desempenho da função. "Lamentavelmente, somos obrigados a trabalhar sem condições dignas de trabalho e muitas vezes sem os materiais e medicamentos necessários para prestar o melhor atendimento possível a população. Mas fazemos o melhor com que temos à disposição", afirma o documento. Por causa disso, eles dizem que não querem mais continuar prestando o serviço. "Comunicamos que não mais desejamos prestar serviços a essas empresas que não demonstram o mesmo compromisso com que executamos nosso trabalho com zelo e dedicação".

A Secretaria Municipal de Saúde e a Empresa Cuiabana de Saúde Pública informam que desconhecem o pedido de demissão de médicos terceirizados que supostamente teria sido divulgada através de carta aberta sem assinatura, ou seja, legalmente sem validade e que sequer foi entregue aos gestores da saúde municipal.

Em nota, a Hipermed afirmou que 60% dos profissionais que prestam serviços ao Hospital São Benedito e Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) já tiveram receberam o salário de agosto e que os 40% restantes vão receber no decorrer desta semana.

A empresa alega que os pagamentos de setembro vencem em 30 de outubro e serão feitos tão logo a Hipermed receba os repasses da Empresa Cuiabana de Saúde Publica, ligada à Prefeitura Municipal de Cuiabá. Portanto, não há atraso de cinco meses de salário como estão afirmando e, sim, de um mês.

"A empresa efetiva os pagamentos conforme recebe os repasses dos entes públicos, tendo em vista que a Hipermed faz o gerenciamento não só dos recursos humanos médicos, como da equipe multidisciplinar e insumos", diz.

Crise na saúde

Na semana passada, uma operação do Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO) colocou a Secretaria de Saúde de Cuiabá em evidência. Durante a ação, que investiga contratações irregulares para a pasta, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), foi afastado por ordem da Justiça. As apurações indicam que a maioria das contratações foi feita para atender interesses políticos do prefeito.

Além do afastamento do prefeito e da prisão do chefe de gabinete, Antônio Monreal Neto, foram feitas ações de busca e apreensão na manhã desta terça-feira no prédio da sede da prefeitura e na casa do prefeito e de sua esposa, Márcia Aparecida Kuhn Pinheiro.


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